Uma MAV q não me impede de viver!!!

LUCIANA KELE DORINI

AVENIDA IGUACU
MANGUEIRINHA
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Notícias

Se não houvesse Natal

10/12/2018 20:15
    Primavera, verão, outono, inverno e primavera de novo, e o ano passaria sem que...

Fechando com chave de ouro

08/11/2018 19:07
Aos 17 anos escolhi ser contadora, mesmo querendo ser professora... Aos 23 anos escolhi ser...
Incerteza, medo, insegurança... Temperos diários de uma vida cheia de emergências e alertas...

Fechando com chave de ouro

08/11/2018 19:07

Aos 17 anos escolhi ser contadora, mesmo querendo ser professora...

Aos 23 anos escolhi ser professora, mesmo já sendo contadora...

Ah, as escolhas...

Dizem que contabilidade é pra louco...

Outros dizem que ser professor é que é uma grande loucura...

Pois que seja eu, então, a louca da vez.

Louca por aprender para poder ensinar.

Louca para ensinar e continuar aprendendo.

Olhos nos olhos. Debates acalorados.  Feedback instantâneo. Sorrisos e lágrimas. Conversas constantes.  Exercícios. Trabalhos para corrigir. Aulas para preparar. Provas para aplicar. Esquemas para memorização. Exemplos. Muita tosse. Voz rouca. A sala de aula pode ser desgastante, mas é mágica.

Dias silenciosos. Noites agitadas.

Dias perdida entre os papéis. Noites extravasando emoções.

Dias de muita concentração. Noites de longos debates.

Dias de sucesso. Noites de exaustão.

Dias de exaustão. Noites de sucesso.

Por quase 15 anos minha vida foi dividida entre dias de contabilidade e noites de faculdade. Entre o silêncio de uma sala fechada e a alegria de uma sala cheia. Dias sem falar uma palavra, noites sem fechar a boca. Eu me encontrei como professora e encontrei pessoas maravilhosas também.  Eu fiz amigos em todos os períodos trabalhados. Eu me desesperei em cada artigo que não andava. Eu controlei a minha ansiedade para acalmar os meus queridos. Eu me orgulhei em cada banca apresentada. Eu desidratei em todas as  formaturas.

Chorei, sorri. Eu vivi, intensamente, a minha vida de profe.

Eu não me contentei em transmitir o que eu sabia. Eu sempre quis mais. Eu também queria compartilhar força, esperança, alegria, amor.

Eu queria ajudar na preparação para o mercado de trabalho, mas eu também precisava os encorajar para enfrentar as suas escolhas.

Eu trabalhava para formar profissionais, contadores de sucesso, porém o meu maior desejo era ver todos realizados e felizes.

Afinal sucesso pra mim, é a felicidade.

Minhas aulas sempre tiveram um espaço para reflexões. Minhas últimas aulas, em cada semestre, sempre tiveram um pouquinho de emoção, algumas lágrimas, muitos abraços.

E minha última aula de fato, não poderia ser diferente.

Minhas cordas vocais não aguentaram o meu ritmo frenético, elas pediram por descanso. Eu ainda tentei argumentar, mas elas não quiseram conversar. Eu precisei parar.

Depois disso dei algumas aulas numa substituição rápida, e assumi algumas orientações.

Mas, mesmo com a voz mais fraquinha as palestras continuaram.

E fui chamada para uma palestra especial, pediram para eu falar sobre Administração Pública, mas do meu jeito. E o meu jeito, é em tudo colocar sentimento.

Estava prestes a ser chamada e o whatts apitou: “Profe, é assim?”

Eu precisava pegar o microfone, a minha aluna precisava de uma resposta... Corre, Luciana, responde rápido, vai dar tempo... deu tempo.

Respondi minha orientanda, e iniciei a palestra... Administração Pública – O Nosso Papel, no Seminário de Ciências Contábeis do IFPR, em Palmas, no mesmo lugar onde me formei, no mesmo lugar onde fui docente por 6 anos.

O horário de verão, várias noites dormindo muito pouco, uma sequência de emoções tristes que havia passado, acredito que foi esse misto que me deixou muito mal. Eu passei o dia inteiro com um cansaço absurdo, com as mãos trêmulas, com as vistas fracas, mas ninguém precisava saber disso. E ninguém soube.

Quando comecei a falar todo o mal estar passou. Eu falei sobre a Administração Pública, eu falei sobre a minha vida profissional, eu falei sobre algumas dificuldades e outras superações. Pela primeira vez eu uni duas enormes paixões: o “eu tenho um hemangioma e daí” e a “vida de profe” .

Eu ainda preciso concluir algumas orientações de estágio, mas aula mesmo, essa, provavelmente, foi a última.

Os organizadores do evento sabiam disso, e ao final da minha explanação me surpreenderam com uma homenagem inesquecível. Leram uma carta, que não era carta, era uma verdadeira poesia,  depois as cantoras da noite me brindaram com “É preciso saber viver” e pra completar ganhei um presente de uma delicadeza ímpar: um estojo com caneta, espelho e porta bolsa, todos com “Lu Dorini” gravado... Essa última aula foi um show. E eles, que nunca foram meus alunos, me deram de presente uma noite que ficará guardada pra sempre em meu coração.

E assim, lá iniciei o ciclo, como acadêmica de contabilidade, e lá fechei, e fechei com chave de ouro.   

Emoção? Emocionada até 2020.

Obrigada aos organizadores, obrigada aos professores, obrigada às cantoras, obrigada às amigas que só foram até lá para me ver, obrigada a todos os presentes.

Tudo foi lindo. Tudo foi mágico, como uma verdadeira aula deve ser.

Vocês fizeram da minha última aula o melhor dos presentes.

Gratidão sempre, sempre, sempre!!!

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