Uma MAV q não me impede de viver!!!

LUCIANA KELE DORINI

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Transformar o corpo não acaba com o sofrimento...

10/01/2016 10:49

Assim como "matar o corpo" não "mata o sofrimento"... transformar o corpo, possivelmente, também não vai fazê-lo parar de sofrer...

Quando se pensa em suicídios, o que primeiro vem à mente é "por que???"

É quase impossível entender que alguém tente contra a própria vida, contra o próprio corpo... e a explicação está no fato de não aguentar mais sofrer... quem está nessa condição, imagina que acabando com o corpo, acabará com o sofrimento... 

Ledo engano... o corpo deixa de existir,  o sofrimento não...

Da mesma forma, engana-se quem pensa que mudando o seu corpo terminará com seu sofrimento...

Eu tenho uma malformação, considerada, gigante na face... e claro que não é nenhum pouco prazeroso lidar com os olhares ou com as perguntas vindas de todos os lados... em todos os lugares... nas mais diversas situações... 

Na rua, na chuva ou na fazenda, como diz a música... hahaha 

Não há um lugar sequer em que eu possa ir sem medo de ser inquirida quanto à essa diferença que tenho no rosto... mas será que o meu sofrimento consiste nisso??? 

Será que o meu sofrimento pode ser conceituado no simples fato de ser o centro das atenções sem parecer com a Paolla Oliveira??? Se bem que acho que me pareço um pouco... hahahaha

Não... não e não... 

Gente, o sofrimento não consiste no que vem de fora... o sofrimento mora dentro da gente e instala-se tomando o espaço que o deixarmos tomar... 

Quando me olho no espelho, eu não vejo um "hemangioma ambulante"... eu vejo uma mulher inteira e cheia de vida... com os olhos brilhantes, com um sorriso sempre presente e com uma vontade louca de viver intensamente...  

Então porque sofrer com os olhares alheios??? 

Confesso que já sofri muito até entender que a proporção da mágoa por cada olhar, por cada pergunta, não era dada pelas pessoas de fora, mas sim pelo meu eu, pelo meu espírito constrangido e ferido... 

Hoje não sou menos observada, mas respondo a essas observações com mais serenidade... e quando possível, retribuo os olhares e as perguntas com simpatia e alegria... e fazendo isso, aquele momento não agrega espaço em mim como um sofrimento, e sim como uma superação...

Não sei se algum dia eu consegui me imaginar sem nenhum vestígio dessa malformação... nem sei se conseguiria ainda imaginar... mas tenho certeza, que mesmo sem nenhuma "marca registrada", eu não seria mais ou menos feliz... eu não sofreria mais ou menos... Porque sem uma alma feliz, um corpo perfeito não faria a menor diferença...

Pensando em mim, eu me coloco a pensar na sociedade que vive e que sofre... às vezes mais sofre que vive por mínimos detalhes... 

Por um nariz menos arrebitado... por um bumbum não tão grante... por uma barriguinha mais saliente... por dentes tortinhos... por coxas habitadas por celulites... por usar óculos... por ser mais baixinho que a maioria... por ter cabelos encaracolados ou lisos demais...  por estar acima do peso ou por se achar muito magra...  por ter olhos castanhos querendo olhos azuis... Por ter seios muito pequenos ou muito grandes... Por ter uma manchinha no rosto, na perna, no braço, no pescoço... Enfim, são inúmeros os detalhes corpóreos que fazem as pessoas sofrer.. 

São esses detalhes, ou a culpa do sofrimento é dada a esses detalhes???

É bom refletir, normalmente o sofrimento está bem escondidinho no mais íntimo do nosso ser, e precisa de um motivo para gritar... qualquer um desses detalhes não fará diferença nenhuma na sua vida... E mesmo transformando seu corpo, seu sofrimento não acabará... porque esse sofrimento mora dentro de você, por falta de aceitação... por medo de ser julgado... ou pela simples necessidade de se ver "igual ou melhor" que os outros... E isso não é um sofrimento pelo corpo, isso é um sentimento de uma alma que sofre e precisa ser mais bem cuidada...

Não digo para não mexer em nada... não digo para não tratar um quesito físico... mas peço, encarecidamente, que antes de "invadir" o seu corpo e transformá-lo, que você pense... analise... avalie qual o completo teor do seu sofrimento... e pergunte-se: Mudando somente o meu exterior, deixarei de sofrer???

Quem sabe depois dessa reflexão você usufrua o dinheiro reservado para sua plástica numa grande viagem em família, e transforme o seu sofrimento numa grande alegria... 

;)